O financiamento do terrorismo é uma das dimensões mais estratégicas e menos visíveis desse fenômeno. Sem financiamento, organizações terroristas não conseguem operar, planejar ações, manter membros, produzir propaganda, financiar viagens, adquirir equipamentos ou influenciar politicamente ambientes locais. Assim, compreender terrorismo exige necessariamente compreender o seu financiamento. Em outras palavras, o terrorismo não é apenas um fenômeno violento; é um fenômeno logístico, estrutural e financeiro.
Apesar de o Brasil não possuir histórico significativo de atentados terroristas, isso não significa que o país esteja distante do tema. Um país pode ser plataforma financeira, logística ou comercial de grupos terroristas internacionais sem que ataques ocorram em seu território. O Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI) destaca que 69% das jurisdições avaliadas apresentam déficits relevantes na investigação e responsabilização de financiamento do terrorismo, o que demonstra que esse fenômeno permanece crítico em escala global.
Além disso, o GAFI também reforça que regiões sem conflitos diretos podem ser utilizadas para movimentações ilícitas por aspectos estruturais como: vulnerabilidades regulatórias, circulação informal de recursos, fronteiras complexas, presença de economias ilícitas e coexistência com o crime organizado. Esse cenário é verificável na América Latina, onde redes criminosas historicamente associadas ao contrabando, tráfico e rotas ilícitas podem ser exploradas por redes internacionais de apoio financeiro, mesmo sem ataques diretos no território.
Portanto, o estudo do financiamento do terrorismo não é apenas uma preocupação teórica, mas uma necessidade prática para a integridade financeira e regulatória do Brasil e das instituições que aqui operam.